idéias • acessórios • bom humor e tudo que há de bom! rss

A mudança de gerações, parte 2: o clichê da moda

De volta com a série “Mudança de Gerações”, hoje trato de um assunto muito chato: moda. Chato porque atualmente, a moda virou um assunto hype, algo que deve ser comentado e discutido mais que qualquer assunto nesse mundo. Se você não sabe em quem votar, tudo bem. Se não conhece nada dos candidatos à presidente, normal. Mas se não sabe se vestir de acordo com as tendências atuais, você está perdido.  Prepare-se: as pessoas normais estão sofrendo os efeitos da ditadura do estilo “rocker”.Visualize a cena: você está andando na rua, com roupas comuns – nada de all star, calça skinny, camisa de banda, meias rasgadas, cabelo com luzes e maquiagem trash. Nada disso. Não está com um cigarro nas mãos, usando nenhuma estampa xadrez ou óculos enorme e quadrado. É só você, uma camisa branca comum, uma calça, sapatos normais, tênis, talvez.

Agora pare.

Quantas pessoas você conhece que são exatamente assim? Quantas pessoas você conhece que não imitam o estilo de andar de alguma celebridade metida a roqueira, não tem um maço de cigarros no bolso (para fumar imitando aquele cantor cool) ou não tem uma camisa do che, seu madruga, chapolin colorado ou “uma tequila, duas tequilas…”? Pois é. No meu caso, são poucas. Em SP, que me perdoe a cidade, menos ainda.  Nos dias em que vivemos, ter um estilo “rocker” é quase obrigatório. Se você não faz parte de exageros, você não fará parte de nada. Sem excessos, não se vive mais. As pessoas, em especial os adolescentes e jovens na casa dos 20, adotaram o estilo dos cantores de rock dos 60, 70 e 80 (e olha que muitos deles hoje estão uma carniça, não por serem mais velhos, mas por terem usado muitas drogas) e o que vimos, no final da história, foi uma reprodução em massa de garotinhos de 16 anos cujo maior objetivo é acender um cigarro na frente dos amiguinhos e, claro, encher a cara nos fins de semana, antes de voltar para casa e deitar na cama arrumada pela mamãe.

As pessoas esquecem que não basta ter um corte de cabelo diferente, uma atitude “boêmia”. É preciso mais que essas calças coloridas.  Ver como as pessoas se incomodam mais com qual cor de batom a atriz estava usando no VMA que com os últimos acontecimentos em Alagoas e Pernambuco é desconcertante. Não que o ideal seja uma pessoa tensa e preocupada com o universo 24h, mas fazer de Sid Vicius um modelo heróico a ser seguido é um pouco preocupante.

E ninguém sabe como isso começou.

O que vejo é o seguinte, vou dar um exemplo: se uma criança cresce numa favela, longe de escolas, passa necessidades, os pais são ausentes, porque precisam trabalhar todo dia. Os únicos que aquela criança vê, várias vezes ao dia, são os traficantes que andam cheios de dinheiro, prata, motos e mulheres. A criança não tem heróis e observa, de longe, aqueles traficantes resolvendo alguns problemas da comunidade. É visível que, se não houver nada que a desvie daquele caminho, o que acontecerá é que a criança vai se espelhar no traficante e copiar seu estilo de vida, de se vestir e de se comportar.

O mesmo se aplica aos estilos “rockers fins de carreira” com os adolescentes desta geração, que não consomem muitos livros e, muitas vezes têm pais ausentes. Eles se espelham no que há de mais rebelde e “revolucionário”, não uma atitude política, de mudança social, mas uma atitude de moda. Vivemos, agora, um momento em que ser revolucionário é moda.

Ou pelo menos vestir-se com marcas cujo briefing seja “ser revolucionário”.

Related Posts with Thumbnails
Tags: , ,

Deixe um Comentário