A mudança de gerações, parte 1: o gosto musical
Pensei em começar com algum clichê, do tipo “os tempos mudaram”, mas nem adianta: ia ser só mais uma frase. A Atomink começa aqui uma série que discute a minha geração, a anterior, a geração depois da minha….o que mudou? Muita coisa, meu caro. Mas, como o estripador Jack, vamos por partes. Comecemos com os gostos musicais e, por conseguinte, os músicos símbolo das gerações…De uns tempos pra cá tenho observado como as pessoas da idade de minha mãe (nascidos na década de 1960) gostam de MPB. Varia: João Gilberto, Caetano Veloso, Gal Costa e os atuais – Vanessa da Mata (argh), Maria Gadú (argh) e similares. Depois passei a entender o por quê: a geração de minha mãe conviveu muito de perto com o nacionalismo exacerbado, inclusive na música. Os festivais de 67, 68 etc não foram mais que uma busca de identidade na música brasileira, mesmo que, depois da Tropicália, os músicos tenham adotado com mais força a influência de estilos internacionais.
Na terrível (pelo menos para a música) década de 199o, já nascidas as pessoas que, como eu, possuem mais de 22 anos, havia algumas novidades tecnológicas, pouquíssimos acontecimentos políticos depois de 1992 e uma mudança drástica no cenário musical mundial. No Brasil, o que se via era o fortalecimento da música sertaneja e do pagode (seja ele de luxo dos almofadinhas ou dos pagodes coreografados baianos) e o que parecia ser a derrocada do rock brasileiro. Eu, como participante daquela década onde a novidade era o MS DOS, Prince of Persia e a nova coreografia do É O Tchan, senti que, como as pessoas da minha idade não tinham contra o quê se revoltar, elas não tinham música ou cantores que simbolizassem suas vidas, como Caetano Veloso (mesmo sem querer) foi com a Alegria Alegria e Geraldo Vandré com Pra não dizer que não falei de flores (mais conhecida como Caminhando), ambos na década de 1960. Nós tínhamos apenas as mulheres rebolantes, que seguiram até os anos 2000. A minha válvula de escape foram aquelas que, na época eram consideradas “bandas alternativas”, afinal, havia (ainda) algo na música para se opor. Duran Duran, U2, Sade, Red Hot Chili Peppers (apresentadas a mim por minha mãe) e Aerosmith, Travis, Blur, Weezer e tantos outros que conheci numa época em que a MTV ainda era legal e que Kid Vinil apresentava o Lado B de madrugada.
Ok. Chegamos, então, aos anos 2000. A MTV fez o acústico do Art Popular (traumatizante, inequecivelmente traumatizante) e, então, aconteceu: começaram a ficar famosos aqueles que seriam os posers da atualidade. Chorão e o Charlie Brown Jr foram os pioneiros, cantando que eram os caras fuderosos e revolucionários. Em sequência vieram bandas como CPM22 (argh), Detonautas Roque Clube (argh) e…ok, depois eu perdi a conta. NX Zero, Fresno e outras coisas tão horripilantes quanto passaram a ocupar quase todo o espaço nos programas sobre música. No mundo, bandas como Paramore e cantoras com pose rocker, como Avril Lavigne e Kelly Clarkson infestavam a TV e o rádio cantando sobre como foram abandonadas por seus namorados rockers e como nós tempos que aturar suas lágrimas com sombra preta escorrendo. Claro que apareceram bandas criativas, como os Strokes, Franz Ferdinand, Yeah Yeah Yeahs e muitas outras, mas a medida que o tempo passava, ser alternativo perdia o significado. TUDO era alternativo e, ao mesmo tempo, fazia parte do mainstream. Os hits da internet explodiram e pessoas com cada vez menos talento e mais seguidores no twitter e visus no youtube começaram a aparecer. O circo foi montado. Com ele, surgiram também os supostos alternativos: Marcelo Marmelo (trouxinha dos LH), Mallu Cagalhães, Vanguart e um monte de gente com óculos gigante na cara. Estava armada a geração que eu carinhosamente chamo de S2 S2 (ésse dois ésse dois): muitas camisas listradas, mpb forçada, roupinhas coloridas e franjinhas. E, claro, todos os estilos meio que se misturam – os fãs da caricata Lady Gaga também são coloridos e saltitantes, como os da Cagalhães e do Vanguart.
Mas até semana passada nada tinha me chocado tanto (e me feito desejar ter 80 anos agora) que os últimos clássicos da WEB:
Quando assisti a primeira vez, fiquei com pena desses guris. Todo mundo já gostou de algo tosco na vida, eu gostei dos Hanson e do BSB. Gosto da Lady Gaga e da Beyoncé. Mas o que me deixa arrasada (exagero..rs) é o fato de que os músicos de hoje não precisam ter opinião sobre nada, ou influenciar seus fãs para além das roupas e dos óculos patéticos (eu usei nos anos 80, porque ERAM MINHA ÚNICA OPÇÃO). Precisam ser da moda, tocar alguma coisa, gritar bem e ter cortes peculiares de cabelo, passíveis de cópia.
Para os outros vídeos, fiquei chocada demais. Não dá pra comentar.
Observe a trilha sonora: tem Paramore e Avril. E deixe pra vomitar depois do último.
Melhor é o diálogo de MALHAÇÃO. Pronto, comentei.
Oquei, deprimi. Parei com esse assunto.
No próximo mudança de gerações: moda.
beajo.






