Pequenas questões sobre texto
Na última quinta-feira, J.D. Sallinger morreu.
Sua morte ecoou e muito pela rede, inumeros sites especializados em literatura apresentaram seus pêsames junto com textos enaltecedores. Não pretendo fazer isso aqui, o sentimento é mutuo. Entretanto, o que irei abordar, tem a ver com Sallinger apenas no fato dele ter sido citado em uma discussão muito interessante que tive outro dia e a partir deste episódio, confabulei:
Como você lida com o texto?
Muitos defendem a idéia de que “O apanhador do campo de centeio” é um livro para ser lido antes dos 20 e apenas uma única vez. Já outros discordam totalmente e alimentam a idéia de devorar o texto, esgotá-lo, relê-lo inúmeras vezes possíveis.

Certo, vamos pensar um pouco…
Definir parâmetros para se ler um livro é um tanto quanto complicado, você simplesmente restringe a sua oportunidade de leituras e estará sacralizando um texto. Sacralizar é legal? Não nem um pouco. A partir do momento em que um texto é sacralizado, posto em um altar, uma áurea de superioridade é criada, dando a idéia de que tal texto é para os escolhidos. Se pensarmos em uma das definições que Calvino nos dá de clássico no livro Por que ler os clássicos, somos forçados a pensar que O apanhador no campo de centeio nunca será um clássico, pois um clássico necessita ser relido. Entretanto, como tal obra influenciou muitas e muitas gerações, um clássico ele já é. Ademais, quando se lê tal livro por uma segunda vez e com um olhar mais velho, ele se torna bobo. Para os que seguem tal linha de raciocínio um texto é muito mais do que um texto, é algo sagrado, imaculado, muitas vezes covarde por se aproveitar de uma experiência catártica juvenil para lembrar o jovem dentro de si.
Bem, sinto informar, um texto é apenas um texto, um emaranhado de informações predispostas a serem absorvidas pelos receptores de informações. Ser verdadeiro com um texto é querer despi-lo, dissecá-lo, come-lo com garfo e faca. Ler O apanhador no campo de centeio muitas e muitas vezes, principalmente quando adulto, é valorizar as suas experiências e leituras anteriores, seu arcabouço cultural, seu crescimento. Tal atitude torna o indivíduo muito mais intimo do texto a ponto de entendê-lo melhor, deixando de lado toda a agitação e neurotizações referente ao texto.
E pensando nisso tudo, uma pergunta ecoa no ar: Como você trata o texto?






