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Pequenas questões sobre texto

Na última quinta-feira, J.D. Sallinger morreu.

Sua morte ecoou e muito pela rede, inumeros sites especializados em literatura apresentaram seus pêsames junto com textos enaltecedores. Não pretendo fazer isso aqui, o sentimento é mutuo. Entretanto, o que irei abordar, tem a ver com Sallinger apenas no fato dele ter sido citado em uma discussão muito interessante que tive outro dia e a partir deste episódio, confabulei:

Como você lida com o texto?

Muitos defendem a idéia de que “O apanhador do campo de centeio” é um livro para ser lido antes dos 20 e apenas uma única vez. Já outros discordam totalmente e alimentam a idéia de devorar o texto, esgotá-lo, relê-lo inúmeras vezes possíveis.

J.D. Salinger, the legendary author of The Catcher in the Rye has died at the age of  91.

Certo, vamos pensar um pouco…

Definir parâmetros para se ler um livro é um tanto quanto complicado, você simplesmente restringe a sua oportunidade de leituras e estará sacralizando um texto. Sacralizar é legal? Não nem um pouco. A partir do momento em que um texto é sacralizado, posto em um altar, uma áurea de superioridade é criada, dando a idéia de que tal texto é para os escolhidos. Se pensarmos em uma das definições que Calvino nos dá de clássico no livro Por que ler os clássicos, somos forçados a pensar que O apanhador no campo de centeio nunca será um clássico, pois um clássico necessita ser relido. Entretanto, como tal obra influenciou muitas e muitas gerações, um clássico ele já é. Ademais, quando se lê tal livro por uma segunda vez e com um olhar mais velho, ele se torna bobo. Para os que seguem tal linha de raciocínio um texto é muito mais do que um texto, é algo sagrado, imaculado, muitas vezes covarde por se aproveitar de uma experiência catártica juvenil para lembrar o jovem dentro de si.

Bem, sinto informar, um texto é apenas um texto, um emaranhado de informações predispostas a serem absorvidas pelos receptores de informações. Ser verdadeiro com um texto é querer despi-lo, dissecá-lo, come-lo com garfo e faca. Ler O apanhador no campo de centeio muitas e muitas vezes, principalmente quando adulto, é valorizar as suas experiências e leituras anteriores, seu arcabouço cultural, seu crescimento. Tal atitude torna o indivíduo muito mais intimo do texto a ponto de entendê-lo melhor, deixando de lado toda a agitação e neurotizações referente ao texto.

E pensando nisso tudo, uma pergunta ecoa no ar: Como você trata o texto?

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